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O carro que me levou para jantar e perdeu a namorada

  • 23 de jun.
  • 2 min de leitura


O pobre do Chevette vermelho não teve culpa de nada.

Mas acabou ficando para sempre ligado a um dos foras mais memoráveis da minha juventude.


E existe um Chevette vermelho que carregou um rapaz apaixonado diretamente para uma das maiores derrotas amorosas da sua juventude.

A história não é minha.

Quer dizer...

É minha também.

Mas quem sofreu foi o Sérgio.

Quando éramos adolescentes, tínhamos aquele tipo de relacionamento que muita gente conhece.

Namorávamos.

Terminávamos.

Voltávamos.

Terminávamos novamente.

E assim seguíamos.

Até que um dia ele resolveu fazer uma grande tentativa de reconciliação.

Na época, estava na Marinha Mercante.

Pegou emprestado o Chevette vermelho do avô e me convidou para jantar no restaurante mais sofisticado da cidade.

O famoso Cibus.

Segundo ele, precisava conversar seriamente comigo.

Mas havia um detalhe que ele desconhecia.

Algumas semanas antes, uma amiga havia me contado que o viu passeando pelo shopping com a minha melhor amiga.

E eu não era exatamente uma pessoa conhecida por ignorar esse tipo de informação.

Então me preparei para o jantar.

Com dedicação.

Comprei uma roupa nova.

Fiz o cabelo.

Caprichei na maquiagem.

E fui.

Quando chegamos ao restaurante, ele foi extremamente gentil.

Disse que eu poderia escolher qualquer coisa do cardápio.

Qualquer coisa.

Hoje eu reconheço que talvez eu não estivesse tomada pelos sentimentos mais nobres da humanidade.

Então escolhi o prato mais caro.

Depois a sobremesa mais cara.

E aproveitei a noite.

Quando o jantar terminou, veio o momento que ele havia planejado desde o início.

Com toda a seriedade do mundo, resolveu me pedir em namoro novamente.

Lembro perfeitamente da expressão dele.

Da expectativa.

Da confiança.

Da certeza de que tudo estava dando certo.

Então olhei para ele e respondi:

— Eu não namoro homens que saem por aí com a minha melhor amiga.

Levantei.

Saí do restaurante.

Peguei um ônibus.

E fui para casa.

O pobre Sérgio ficou.

Provavelmente acompanhado apenas pelo Chevette vermelho, pela conta do restaurante e por algumas reflexões importantes sobre honestidade.


Mais do que um carro


Não me lembro do cardápio.

Não me lembro da música que tocava.

Nem mesmo do caminho de volta.

Mas me lembro do Chevette.

Porque alguns carros testemunham grandes histórias de amor.

Outros testemunham o fim delas.

E aquele Chevette vermelho teve o privilégio de assistir aos dois.


Você tem uma história boa para me contar aqui?



8 comentários


Convidado:
24 de jun.

Maravilhosa história, coitado do Chevrolet Chevette, gostei do número da placa

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Helena Fraga
Helena Fraga
25 de jun.
Respondendo a

Obrigada!

E você tem uma história como essa?

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Niki
23 de jun.

Que delícia de história!! Um momento revivido nas suas letras! Nesta "gostosa" memória, já que depois até se casaram, o Chevette vermelho brilhou novinho na lembrança de muita gente!

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Helena Fraga
Helena Fraga
25 de jun.
Respondendo a

Obrigada!

O tempo voa e deixa marcas eternas!

Beijinhos

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Convidado:
23 de jun.

O Chevette coitado ficou com a péssima reputação. Por em tão rápido momento presenciar começo e fim de um romance.

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Helena Fraga
Helena Fraga
23 de jun.
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O Chevette não teve nada a ver com isso!

Apenas, foi coadjuvante!

🥰

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Amandio de Sousa Gama
23 de jun.

Você é vingativa!!!! kkkkkkkk Isso não se faz. Ele levou a sua melhor amiga ao Shopping, para ajudar a escolher um presente para você. Foi aí que ela teve a idéia de vislumbrar a cena romântica da ida ao Cibus no Chevette vermelho do avô!!!!

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Helena Fraga
Helena Fraga
23 de jun.
Respondendo a

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

não mesmo!

e não sou vingativa, apenas, não namoro homens comprometidos!

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