O carro que guardou uma parte da minha juventude
- há 2 dias
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Se os carros pudessem escrever memórias, o meu Fiat Prêmio precisaria de vários capítulos.
Afinal, foi nele que vivi algumas das melhores histórias da minha juventude.
Ele chegou à minha vida pelas mãos do meu pai, que comprou o carro de um amigo cuja filha estava deixando o Brasil. Era um Fiat Prêmio azul e, para mim, representava muito mais do que um simples automóvel.
Foi o primeiro carro quase zero que tive.
Foi também o primeiro carro de quatro portas da minha vida, algo que hoje pode parecer um detalhe, mas que naquela época tinha um significado especial. Era como se a vida estivesse avançando junto comigo.
O Prêmio acompanhou momentos que jamais esquecerei.
Foi palco de uma conversa muito importante — uma daquelas histórias que talvez seja melhor deixar guardada onde sempre esteve: entre mim e ele.
Alguns segredos merecem continuar viajando em silêncio.
Quando me casei, ele continuou ao meu lado.
Foram muitas viagens entre São Vicente e Florianópolis.
Horas de estrada.
Planos para o futuro.
Risadas.
Conversas sem fim.
Hoje percebo que não me lembro apenas dos destinos.
Lembro das histórias que contávamos pelo caminho.
Lembro da felicidade simples daqueles dias.
Mas a lembrança mais marcante aconteceu justamente em uma das últimas viagens.
Já tínhamos decidido nos mudar para São Vicente quando, na BR-116, um caminhão à nossa frente desviou de uma pedra.
A pedra veio em nossa direção.
E acertou em cheio o para-brisa.
O susto foi enorme.
O vidro estilhaçou.
E, de repente, a viagem virou aventura.
Seguimos de Registro até São Vicente praticamente sem para-brisa.
Era inverno.
Fazia um frio daqueles.
E além do vento gelado entrando sem pedir licença, havia um medo constante: a polícia nos parar no caminho.
Hoje a história rende boas risadas.
Naquele dia, nem tanto.
Mas talvez seja essa a mágica das lembranças.
Primeiro nós as vivemos.
Depois sobrevivemos a elas.
E só muitos anos mais tarde conseguimos transformá-las em histórias.
Quando penso naquele Fiat Prêmio azul, não me lembro de potência, consumo ou desempenho.
Lembro de um pai que ajudou a filha.
Lembro de um casamento feliz.
Lembro de estradas, conversas e sonhos.
Carros envelhecem e se transformam em capítulos da nossa própria biografia.





Mais uma vez, me fez pensar em um carro!
Não tinha me dado conta de como eles podem ser testemunhas leais de tantos momentos da vida!
Seus textos encantam!!😍👏👏👏👏
Bela narrativa de boas, marcantes e saudosas lembranças .... Parabéns....