São Vicente, Quarta-Feira  8 de Setembro de 2010
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Cantinho dos amigos  
Cantinho de J. Araujo Guimarães
Um pouco de poema com alma lusitana... Um pouco de poeta com gosto de Camões e Pessoa!!!







Ao amor lançado ao vento,

escravo da saudade

 

Sonhos caídos

Como galhos partidos

Arvores rasgadas

De tanta ilusão

Folhas que voam

Libertando o chão

Ficam meus sonhos

Quais galhos caídos

Adormecidos

Tapetando o chão

Não há ventos que os levam

Nas folhas que vão.

J.Araujo Guimarães 

 

Eles andam por aí

Eles andam por aí...

Presta atenção no armário

E não adivinhes confiança

Que eles andam por aí

Na alcatifa que pisas

No pão que comes

Na voz quando ficas calado

E te sentes perdido

Ousa mesmo sozinho

Porque eles estão aí

E tu rodeado de realidades

És inútil ao momento

Refresca a boca que beijas

A mão que te dá paz

Eles andam por aí

Até na voz do esplêndido

Até no silencio das arvores

Nas portas que se abrem

Por lá também estão

Que deves ousar beijar mesmo aí

Pois importa mais o hoje na boca

Do que o amanha que não conheces.

Eles andam por aí...

E tu alérgico à felicidade.

J. Araujo Guimarães  7-12-2004

 

Estás aqui

(conheço o sabor da tua ausência)

as portas fechadas não quero

a meu lado

Estás aqui

(e sei que estás longe!)

não me peças para fechar a janela

agora que há sol  na cidade

Estás aqui

(esquece outros momentos)

J.Araujo Guimarães

COISAS SIMPLES

Quisera eu fazer nossa a noite

e amar-te

como nas noite longas que dizem ser

as loucas noites de Paris

e amar-te apenas com beijos

e dez dedos de carícias

e bem pode ser ao som de Mozart

numa tarde de domingo qualquer

desde que apenas tu e eu

e um sorriso no teu rosto

para que a tua beleza me deixe embriagado

como a cidade com o brilho louco das luzes

e enquanto um poeta acorda em Londres

outro escreve um ultimo verso para ti

e vence a solidão,

e tu sorris...  é quanta basta...

J.Araujo Guimarães

DESEJO-TE

"há muitas formas de noite,

Não ver-te... Já é."

J.Araujo Guimarães

De noite só quero vestido

O tecido dos teus dedos

E sobre o meu corpo

O manto do teu amor

De noite só quero teu olhar

Claridade para meu rosto

E em minhas mãos as tuas

Segurança para meus medos

De noite só quero o silêncio

A ser quebrado pelo teu respirar

E do teu corpo o agasalho

Para o frio que me tem tocado

De noite só quero a chuva

De teus lábios molhados

E a estrela dos teus olhos

Para iluminar meu quarto apagado

De noite só quero para meus ouvidos

A melodia da tua doce voz

Única que embala meu cansaço

Na noite que se avizinha

J.Araujo Guimarães

COMPARAÇÕES

Crescem poemas no pomar

Pêssegos laranjas maçãs

Poemas palavras frutos

Teus beijos doces romãs

Poemas de vento cercados

Partidos secos caídos

Poemas palavras arvores

Tuas mãos galhos queridos

Poemas em terra árida

Arado enxada ancinho

Poemas palavras raízes

Teu corpo profundo carinho

Poemas de sol e chuva

Sementes frutos doçura

Poemas palavras uva

Teus beijos, eterna loucura

Poemas cachos amadurecidos

Bananas mirtilos frutos tropicais

Poemas verbos merecidos

Pequenas colheitas para quem deseja mais

Poemas palavras semeadas

Rasgados espalhados por aí

Poemas de eterno amor

Que com saudade te escrevi

J. Araujo Guimarães

CINCO DA TARDE E AINDA NÃO TE VI...

"Quantas vezes o homem sonha o impossível

Tendo nas mãos o possível que ignora"

J.Araujo Guimarães

Carros circulando a alta velocidade na rua

Aviões sobrevoando as alturas com dificuldade no aterrar

Inverno com manhãs frias e chuvosas

E é tudo normal menos não ver teu olhar

Cometas que aparecem e desaparecem num instante

Genomas complexos que se conseguem descodificar

Estrelas que se vestem duma forma bela mas distante

E é tudo normal menos tuas mãos que não consigo tocar

Crianças que vagueiam pelas ruas desamparadas

Países com fome de paz e fartura de miséria

Degelo do planeta numa corrida alucinante

E é tudo normal menos o teu corpo que está distante

Políticos com promessas nas eleições nacionais

Comboios com destino certo e hora para chegar

Barcos que se afundam poluindo a terra e tudo o mais

E é tudo normal menos conseguir-te beijar

É tudo tão normal neste ritmo que nos impõem

Que vivo amordaçado à sociedade onde nasci

E sei amor, que estou longe, estando aqui ao pé de ti

E já são cinco da tarde e hoje não te vi.

J. Araujo Guimarães

 

Dou autorização de publicares todos os que te enviar

sem restrições * José Araujo Guimarães * AGUEDA * PORTUGAL


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