No vai e vem dos corpos
A vida real não importa
O prazer sublime sobrepuja
O que nos rodeia, que é natureza morta
Tudo se eleva nessa hora
Nada mais é relevante
Os cheiros se misturam
Formando um perfume embriagante
Depois vem a ressaca
Com toda sua grandeza
Mexendo nas pedras seculares
Sem pedir licença a natureza
Quando vai embora
Deixa tudo remexido
Na maré baixa e normal
Até os próximos gemidos
(Ferrão - 2003)
É noite, tudo se cala
O silêncio é profundo
Nada se move
Nada se fala
Os sonhos se perdem
No labirinto do sono
Os projetos dormem
No fundo da alma
O silêncio incomoda
Com seu barulho estridente
Os mortos renascem
Na mente doente
Os sussurros sufocam
O silêncio é pesado
Tudo que suporto
Me leva ao passado
A noite é de sombras
É dos sonhos sonhados
É das almas estranhas
Que vêm do passado
A noite é tudo
Tudo cheio de nada
É o mundo ansioso
Por mais uma madrugada
A noite é o fim
De tudo que pode morrer
A noite é o começo
Do que insiste em nascer
Ferrão – 09/12/2002 |